segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Drauzio Varella esclarece mitos sobre contágio do vírus da Aids



Drauzio Varella esclarece mitos sobre contágio do vírus da Aids Trinta anos após surgimento da doença, o médico vai explicar...que serviu de cativeiro. Trinta anos depois do surgimento da Aids, o Dr. Drauzio Varella tira as dúvidas que ainda existem na...

Fantástico | Última atualização: 21/01/2011 00h00

Em São Paulo, funcionava o maior presídio da América Latina, o Carandiru. Mais de sete mil homens. Ali, durante 13 anos, o Dr. Drauzio Varella acompanhou doentes com AIDS: 17% dos detentos eram portadores do HIV.

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A cocaína injetada na veia era a droga da moda. Seringas e agulhas passavam de mão em mão. Sem acesso à camisinha, nas visitas íntimas, os presos infectados transmitiam o vírus para suas mulheres. O cenário era desolador, dentro e fora da cadeia.

O primeiro caso de Aids no Brasil foi diagnosticado em 1982. A partir deste ano, o número de mortes começou a subir assustadoramente. Os primeiros pacientes nem sabiam que o HIV existia. De repente, caíam doentes, com infecções que se repetiam uma depois da outra até a morte.

“Nós infectologistas sempre tivemos a possibilidade de tratar e curar pessoas. De repente, uma geração toda morreu nas nossas barbas. Nós não tínhamos medicamentos, estávamos aprendendo a tratar as infecções e foram perdas que causaram um desgaste emocional e pessoal muito grande para cada um de nós. Acho que todos nós deixamos de ser onipotentes”, admite o Dr. David Uip.

“Quando eu me infectei, há 18 anos, a gente ficava só esperando o dia de morrer. A gente só falava ‘Quando é que vai ser a minha vez?’ .Tanto que nós tínhamos um grupo de teatro para falar sobre o preconceito que a gente vivia e como isso nos matava mais rápido. Aí, o grupo de teatro acabou porque todos morreram”, relata a ativista Nair Britto.

Até a metade dos anos 1990, o preconceito contra a Aids e o alto custo do tratamento tornavam a vida dos doentes muito difícil. A situação só melhorou quando os portadores do vírus decidiram se organizar, mostrar o rosto e exigir que o estado garantisse o acesso aos medicamentos mais modernos.

“Eu fui parar em uma conferência no Canadá. Uma conferencia de Aids, internacional. E lá eu descobri que tinha remédio, que a gente podia tomar e viver mais. Aí, quando cheguei aqui no Brasil, em 1996, eu entrei na Justiça e consegui que um juiz percebesse a importância de eu ter esse acesso e concedeu uma liminar. Foi a primeira liminar que concedeu medicamento para Aids a uma pessoa”, conta Nair.

Nair estava desesperançada e lutar por estes direitos foi a forma que encontrou para seguir vivendo. Graças à ação de pessoas como ela, no Brasil, milhares de vidas foram salvas.

“Outras pessoas também foram buscar na Justiça esse direito, acabou que houve uma avalanche de ações e aí virou política universal de acesso a todo mundo. Acho que a força desta conquista foi tão grande que eu acabei vivendo”, se orgulha a ativista.

O programa brasileiro de combate a Aids reduziu muito o número de mortes. Em 1997, foi criada uma lei que garante o acesso de todos os brasileiros aos medicamentos contra o vírus.

O Brasil enfrentou a resistência de países como Alemanha, Suíça e EUA, onde estão os maiores laboratórios do mundo, mas conseguiu aprovar a declaração que permite a quebra de patentes de remédios para proteger a saúde pública, combater epidemias de doenças como Aids, tuberculose e malária e garantir que a população tenha acesso a medicamentos essenciais.

As políticas públicas brasileiras servem de exemplo para o mundo inteiro, mas, infelizmente, o preconceito da sociedade ainda persiste. A carioca Mara, evangélica, casou virgem aos 18 anos e foi infectada nas primeiras relações com o marido.

“Foi difícil entender como seria minha vida daquele momento em diante e fiquei sete anos sozinha, achando que era aquilo que Deus queria para minha vida. Então, já que Ele tinha levado meu primeiro esposo, eu achava que ia ser essa a realidade para minha vida daquele momento em diante. Aí eu conheci o Evandro através de torpedos, uma brincadeira em um site de relacionamento, onde a gente trocava mensagens, mais de 100 mensagens por dia. Ficamos longos três meses nos conhecendo através de torpedos. No nosso quinto encontro, eu falei para ele que eu era soropositiva porque eu tinha me infectado no meu primeiro casamento. No dia seguinte ao encontro, ele não mandou nenhum torpedo até 17h. Eu fiquei desesperada, eu falei : ‘nossa, eu acho que ele pensa que pega Aids através de torpedo, só pode ser’”, lembra Mara.

“Às 17h, eu tomei coragem, telefonei e perguntei por que ele não tinha mandado um torpedo, que se ele não quisesse ser meu amigo, eu ia entender. Ele disse: ‘não, Mara, eu estou trabalhando muito, eu estou no meu plantão. Daqui a pouco eu te mando uma mensagem’. E eu fiquei na expectativa de qual seria aquela mensagem”, conta.

“Em um primeiro momento, eu tomei um choque, fui educado ao falar, mas me choquei sim”, reconhece Evandro Trajano da Silva, companheiro de Mara.

O HIV não é transmitido pelo aperto de mão, pelo beijo ou por contato com objetos pessoais, como toalhas, talheres ou copos. Nem quando uma gota de sangue infectado cai sobre a pele íntegra.

“É obvio que a gente ainda vai ter desigualdade e preconceito, mas eu acho que hoje está todo mundo parando, nem que seja um pouquinho, para pensar sobre isso e eu acho que a gente vai construindo uma sociedade melhor, um mundo melhor. Essa é a minha visão de presente. E a minha visão de futuro é a cura. E a cura não só do vírus, mas a cura mesmo dessa ideia de exclusão, que eu acho que é a que dói mais”, afirma Nair Brito.

“Depois de muita reflexão eu pensei e vi que não tinha nada a ver, que eu poderia sim ter um relacionamento com ela, independentemente de ela ser soropositivo ou não”, relata Evandro.

“E às 18h, quando ele saiu do plantão, ele mandou uma mensagem que dizia o seguinte: ‘Mara, não é porque eu descobri que a rosa tem espinhos que eu vou deixar de admirar sua beleza e o seu perfume’”, conta Mara.

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Para romper o silêncio da AIDS

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Para romper o silêncio da aids

Pesquisa mostra que um em cada 10 portadores não conta ao parceiro fixo que tem HIV



Uma linda rosa



Foto: Alex Ferro/Agência Pedra Viva/Divulgação

Mara é HIV positivo e casada há cinco anos com Evandro. "Tomei a decisão certa ao contar para ele no 5º encontro sobre a aids."

Mara Moreira tinha só 18 anos quando descobriu o HIV, três meses após casar virgem com o primeiro marido. Ela ficou viúva 1 ano e meio depois de trocar alianças e a morte do companheiro por aids fez com ela passasse sete anos em total isolamento da vida amorosa, das relações sexuais e da possibilidade de dividir a vida com outra pessoa.

O apoio do Grupo Vidda do Rio de Janeiro, no entanto, fez com que ela arriscasse tentar viver mais uma história de amor. Em uma sala de bate-papo, com o codinome “Rosa”, ela encontrou preencheu uma ficha e encontrou Evandro, 98% de afinidade com suas preferências e gostos.

Foram dois meses trocando mais de 200 mensagens por dia até que os dois resolveram marcar o encontro. No shopping, ela atestou que de fato o “amigo virtual” não mentiu sobre os seus 1,90 m de altura e olhos claros. Agora, era hora dela pensar se a mentira sobre seu diagnóstico seria um caminho ou não. Ao mesmo tempo, não conhece ninguém que no primeiro encontro diz “oi, tudo bem? Então, tenho diabetes.” Com o HIV também não era assim.

No 5º encontro, ela depois de pensar muito, resolveu falar sobre a sua condição. Mara é evangélica, segue as determinações de que sexo só depois do casamento, mas não queria deixar só para esta hora a revelação. Evandro ouviu a notícia e foi embora. Naquele dia, as constante média de 200 mensagens de celular trocadas por dia se resumiu a nenhuma.

No fim da tarde, a mensagem “não é porque eu descubro que a Rosa tem espinho que eu vou deixar de achá-la bonita e admirar seu perfume”, confirmou que Mara Moreira havia tomado a decisão certa.

Hoje, eles estão casados há 5 anos, felizes e fazendo da camisinha uma parceira. “A maioria das pessoas não conta ao namorado que tem o vírus por medo da reação, mas não imagina que esta reação pode ser boa. Eu sou feliz hoje e dividir o diagnóstico e poder partilhar várias outras coisas da vida. Não é só a doença.”

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Programa de Aids no Brasil enfrenta falhas e precisa ser 'replanejado'


Programa de Aids no Brasil enfrenta falhas e precisa ser 'replanejado'

Júlia Dias Carneiro

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120724_aids_programa_brasil_jc_ac.shtml
Atualizado em  25 de julho, 2012 - 12:15 (Brasília) 15:15 GMT



Pedro Chequer, do Unaids no Brasil, diz que é preciso refletir sobre nova realidade da epidemia

Apesar de ser tido como um modelo de política de saúde pública no exterior, o programa brasileiro de tratamento e prevenção da Aids vive uma fase de declínio e precisa de um "replanejamento", alertam especialistas do setor.

"O programa brasileiro tem que ser revisitado. Deve haver uma reflexão profunda sobre a nova realidade da epidemia do país, e um redesenho das estratégias com vistas ao acesso universal (ao tratamento)", diz Pedro Chequer, coordenador no Brasil do Unaids, o programa da ONU contra a Aids.

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"Não podemos ficar na percepção de que o programa caminhou bem e está bem. Temos desafios novos e eles têm de ser enfrentados."

O Programa Nacional DST/Aids começou a chamar a atenção do mundo em 1996, quando o Brasil se tornou o primeiro país em desenvolvimento a determinar, por lei, o acesso universal à terapia antirretroviral.

Entre 2003 e 2005, o modelo brasileiro foi reconhecida por prêmios da Fundação Bill e Melinda Gates, da Organização Mundial da Saúde e da Unaids. Os resultados costumam ser apresentados em encontros internacionais, como a Conferência Internacional de Aids, em andamento até sexta-feira em Washington.

Problemas

A imagem positiva se mantém, mas o aumento das denúncias de organizações da sociedade civil vem alertando para uma realidade mais dura no âmbito local.

Entre os problemas que vêm sendo apresentados estão falta de médicos, leitos e exames para os pacientes; de medicamentos para tratar doenças causadas pelos antirretrovirais; de recursos para ONGs; bem como episódios de desabastecimento do coquetel em postos de saúde, obrigando os pacientes a interromper o tratamento.

Para Eduardo Gomez, pesquisador da Universidade Rutgers de Camden, em Nova Jersey, a história de sucesso do programa brasileiro de Aids entrou em declínio nos últimos anos por fatores como a saída de recursos internacionais e o enfraquecimento da relação entre o governo e a sociedade civil.

"Historicamente, o programa de Aids brasileiro tinha uma conexão forte com as ONGs, mas agora elas estão sem recursos e sem motivação. O governo precisa delas para conscientizar populações difíceis de atingir", diz Gomez, que pesquisa o sistema de saúde público brasileiro.

'Desmantelamento'

Para o psicólogo Veriano Terto Júnior, coordenador-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), houve um desmantelamento na resposta brasileira à Aids.

"As pessoas estão morrendo, as ONGs estão fechando as portas, os hospitais estão terríveis e o governo federal está censurando suas próprias campanhas", afirma.

Ele se refere a dois episódios recentes nos quais o governo federal decidiu rever campanhas sobre a prevenção do HIV. As mudanças foram vistas como uma atitude conservadora, motivada por pressão, sobretudo, de grupos evangélicos.


Na estatística nacional, a epidemia da Aids alcançou um estágio de relativa estabilidade, atingindo cerca de 0,6% da população. Porém, a cada ano mais de 30 mil pessoas são infectadas – no ano passado, foram 33 mil. A epidemia cresce no Norte, no Nordeste e no Sul.

Pedro Chequer lembra que havia dúvidas sobre a capacidade do Brasil de financiar uma oferta universal de antirretrovirais. Hoje, o país investe cerca de R$ 1,2 bilhão no programa por ano, e este orçamento conta com apenas 0,25% de recursos internacionais.

Alcance

Mas o fato de a oferta ser universal não significa que alcance todos os soropositivos. O Ministério da Saúde estima que 250 mil brasileiros tenham o vírus sem que saibam.

"Nosso investimento é para reduzir esse número, ampliar o número de diagnósticos e aumentar o número de pessoas em atendimento", afirma Eduardo Barbosa, diretor adjunto do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. "Vamos ter que trabalhar para absorver esse novo grupo de pessoas na rede."


Ativistas do Grupo Pela Vidda reclamam de problemas como falta de exames para monitorar eficácia do tratamento

À medida que aumenta a longevidade de pessoas soropositivas, aumenta a demanda sobre a rede de saúde pública, já que os pacientes não precisam apenas do tratamento antirretrovirais. A terapia prolongada com o coquetel da Aids pode causar uma série de efeitos colaterais, como diabetes, danos a órgãos vitais e lipodistrofia (uma mudança na distribuição de gordura pelo corpo).

No tratamento dessas doenças, pacientes esbarram em problemas típicos da rede pública: falta de leitos, falta de remédios, falta de médicos. O programa nacional foi descentralizado em 2003, e desde então conta com Estados e municípios para executar as políticas na ponta.

"Ainda temos vários gargalos a serem resolvidos. Os hospitais estão realmente sobrecarregados e acabam tendo dificuldade para o agendamento (de consultas)", diz Barbosa. "Hoje, nosso grande investimento é para o atendimento ter uma fluidez maior. Em alguns lugares ainda temos dificuldades, como o Rio de Janeiro."

Sem recursos

No braço carioca do Grupo Pela Vidda, a visita da BBC Brasil durante um encontro de ativistas desencadeia uma sessão de denúncias. Todos soropositivos, eles vêm sofrendo na pele problemas como a falta exames para monitorar a efetividade do tratamento.

Os exames para testar a imunidade e a carga viral devem ser feitos a cada três ou quatro meses, informa o Ministério da Saúde. No Rio, eles dizem conseguir fazer em média uma vez por ano, e muitas vezes têm o tratamento modificado pelo médico "às cegas", sem ter o resultado do exame para guiar a mudança.

Apesar da importância que tiveram na elaboração da resposta nacional à Aids, ONGs como a Abia e a Pela Vidda sobrevivem com dificuldades, e muitas estão fechando as portas.

Os motivos são plenos de contradições. O Brasil cresceu e pulou de categoria: passou de país de baixa e média renda para nação de alta e média renda, e deixou de ser elegível para doações de instituições filantrópicas. Passou de receptor a doador.

As ONGs se queixam de que o governo não compensou por essa fuga de capitais, e elas ficaram sem recursos. O problema maior, entretanto, parece ser que os recursos disponíveis não chegam a elas.

Eduardo Barbosa diz que o governo federal repassa R$ 10 milhões por ano para projetos de ONGs, mas parte da verba fica parada. "Existe uma grande dificuldade dos Estados de fazer parcerias com as ONGs por conta de problemas de certificação", diz.

Pedro Chequer estima que aproximadamente R$ 150 milhões destinados às ONGs estejam parados nos cofres dos Estados, acumulados.

"Há necessidade de mais dinheiro, mas Estados e municípios não têm capacidade operativa de usar os recursos que o governo federal repassa. Isso é grave, sinaliza um descaso com a saúde pública. Recurso parado significa postergar a ação, às vezes ao ponto de o paciente ter um diagnóstico tardio. Um diagnóstico tardio é uma grande perda", diz.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120724_aids_programa_brasil_jc_ac.shtml

domingo, 12 de agosto de 2012

As poderosas do Rio na matéria de capa da Saver Viver 49

01/08/2012


As poderosas do Rio na matéria de capa da Saver Viver 49. Leia agora no site. Os exemplares da revista serão distribuidos a partir de agosto




Conheça mulheres soropositivas que sabem viver, descubra a importância do apoio psicológico e acompanhe o trabalho do farmacêutico. Tudo isso e muito mais na Saber Viver 49. http://saberviver1.entregadordecampanhas.net/ver_mensagem.php?id=H|1288|111194|129174108188917900

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Entrevista dada ao Globo ciência pela usuária: Mara Moreira-IPEC/FIOCRUZ

http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-ciencia/




Entrevista dada ao Globo ciência pela usuária: Mara Moreira-IPEC/FIOCRUZ
Saiba como avançaram as pesquisas e o que os cientistas brasileiros estão estudando sobre a doença



Globo Ciência - Quais são os novos tratamentos para AIDS? - íntegra

07:52

Conheça os novos tratamentos para AIDS



Os avanços da medicina - parte 3

06:08

Acompanhe a consulta de uma paciente portadora do vírus HIV



Tratando a doença - parte 2

Projeto Girassol forma a primeira turma de voluntários para a conscientização sobre a Aids

Ribeirão Preto, 30 de Maio de 2011


Projeto Girassol forma a primeira turma de voluntários para a conscientização sobre a Aids

Projeto, criado pela vereadora Gláucia, recebeu Mara Moreira, do Grupo pela Vidda; ela falou sobre trabalho e sua experiência e esperanças como portadora de AIDS



A coordenadora do Grupo Pela Vidda, do Rio de Janeiro, Mara Moreira, esteve neste sábado, 28/5, em Ribeirão Preto a convite da vereadora Gláucia Berenice, presidente da Frente Parlamentar DST/AIDS da Câmara Municipal. Para uma platéia de militantes da causa, entre multiplicadoras formadas pelo projeto Girassol e profissionais das áreas de direito, saúde e assistência social, Mara contou sobre os dezesseis anos em que convive com a Aids e os avanços e desafios para o enfrentamento da doença, entre eles, a perspectiva de uma vacina. Ela ficou conhecida após participar do programa “Aids-30 anos depois”, apresentado pelo médico Dráuzio Varella.



Para a palestrante, as vacinas para tratamento de soropositivos e não portadores deve demorar ainda mais dez anos, pois estão em fase inicial. Enquanto isso, o Grupo Pela Vidda e outras organizações pressionam para a ampliação das pesquisas em medicamentos, apesar de considerar os atuais antirretrovirais como um avanço. “O uso prolongado de qualquer medicamento faz o organismo se acostumar. Com os antirretrovirais não é diferente”, explicou alertando quanto a perda de eficácia dessas drogas após anos de uso por parte da pessoa com Aids. Ela mesma faz parte de um grupo de pesquisas da Fiocruz para novos remédios que contenham a replicação do vírus.



Outros desafios enfrentados pelas pessoas com HIV são a falta de infectologistas, de medicamentos para tratar os efeitos colaterais do coquetel anti-HIV e de políticas sociais. “Antes, no diagnóstico, a pessoa já era aposentada, e hoje não é mais assim, é muito mais difícil conseguir os benefícios como o auxílio doença”, pontuou. Outra luta do grupo é o avanço em pesquisas em antirretrovirais específicos para mulheres, uma vez que os atuais surgiram para tratar homens que eram quase a totalidade dos casos de infecção por HIV e o coquetel atual provoca a masculinização das usuárias. Outros efeitos colaterais conhecidos são diabetes e o aumento dos níveis de triglicérides e colesterol.



Mara, que foi infectada no seu primeiro casamento, aos 18 anos, relatou como superou o isolamento e hoje é uma militante no grupo fundado pelo sociólogo Betinho. Há cinco anos está casada novamente com um parceiro que não tem o HIV. Disse que a pessoa tem direito de contar ou não sobre sua condição, mas que a prevenção se torna uma obrigação para o resto da vida, ainda que ambos os parceiros tenham o vírus. Sobre ter filhos, Mara assegurou que é plenamente possível, por inseminação artificial.



Sobre seu envolvimento, Mara disse que procurou o Pela Vidda porque tinha apenas 19 anos e muitas dúvidas quanto à sua nova condição. “Vi que poderia ter vida após a Aids”, resumiu.



O evento também serviu para a apresentação das multiplicadoras formadas pelo projeto Girassol, idealizado pela vereadora Gláucia, e que vão trabalhar na prevenção e divulgação de informações sobre a Aids. As doze multiplicadoras freqüentaram durante dois anos oficinas de capacitação e o projeto inicia no próximo mês a sua segunda edição. “Há vida depois da Aids, mas o objetivo do projeto é levar informação, evitando que muitas pessoas tenham que conviver com essa doença”, resumiu.

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ASSESSORIA DA VEREADORA GLÁUCIA BERENICE





projeto Olhares Posithivos

Projeto Olhares Posithivos


http://throughpositiveeyes.org/rio-de-janeiro/mara

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Artigo - Saúde: será que é direito de todos?

Artigo - Saúde: será que é direito de todos?


O não comprimento do que foi assumido pela então candidata a presidente DILMA como o Movimento Social Sempre que o Brasil enfrenta uma Epidemia – como a de AIDS que hoje já é considerada uma Pandemia- a fragilidade do sistema um único de saúde torna-se indisfarçável. Hoje temos 1.500 morte ao mês – de acordo com o boletim epidemiológico 2011. O diagnostico tardio, falta de médicos infectologistas, medicamentos para doença oportunistas, falta de leitos, super lotação e várias outras dificuldades encontradas na rede, seja Municipal, estadual ou federal, em vários estados, mais especialmente no Estado do Rio de Janeiro, são os causadores desse caos . Quando isso acontece , a população se pergunta: qual é o problema da saúde no Brasil? Falta dinheiro ou falta gestão? É possível melhorar a saúde no Brasil sem criar novos impostos? Essas, entre outra questões, são de conhecimento da presidente Dilma, que, ao assinar uma Carta de compromisso do Fórum de ONG/Aids de São Paulo em 2010, se comprometeu a enfrentar esses problemas. Mas já se passaram anos e o caos continua, talvez, inclusive, esteja pior: ONG´S fechando, perda de ativistas para empresas privadas e governo e com isso, enfraquecimento das ações de prevenção, o que termina por elevar ainda mais os níveis de infecção as DST/AIDS. A constituição de 1988 estabeleceu que a saúde é direito de todos e dever do Estado. É possível cumprir o que a lei determina? Quando a lei não é cumprida pelos cidadãos:, ficamos sujeitos a prisão, multas e pagamento de cestas básicas e os nossos governantes? Como são punidos? Quantas mortes mais teremos que ter para que os responsáveis tomem posição e cumpram o que já foi estabelecido e pactuado? Quando um cidadão exige na justiça um tratamento que o Estado não oferece, muitas das vezes na execução, o Secretário da Saúde foge. E várias outras ações são realizadas: audiência no Ministério Publico, cartas, manifestos são feitos pelas pessoas Vivendo com HIV/Aids e são engavetadas e esquecidos pelos gestores, onde deveriam dar maior atenção, mais na maioria das vezes só sabem dizer que os ativistas não fazem mais o Controle social como no passado, jogando toda a responsabilidade da falência do SUS ao usuário que , segundo eles, não faz o seu "papel " . Mas quem realmente não faz o seu papel?


Contatos para entrevistas: Mara Moreira
(21)87672478
E-mail : maragpv@yahoo.com.br

Atendimento a pessoa vivendo com HIV/AIDS é precário no Rio de Janeiro

Artigo - Saúde: será que é direito de todos?


O não comprimento do que foi assumido pela então candidata a presidente DILMA como o Movimento Social Sempre que o Brasil enfrenta uma Epidemia – como a de AIDS que hoje já é considerada uma Pandemia- a fragilidade do sistema um único de saúde torna-se indisfarçável. Hoje temos 1.500 morte ao mês – de acordo com o boletim epidemiológico 2011. O diagnostico tardio, falta de médicos infectologistas, medicamentos para doença oportunistas, falta de leitos, super lotação e várias outras dificuldades encontradas na rede, seja Municipal, estadual ou federal, em vários estados, mais especialmente no Estado do Rio de Janeiro, são os causadores desse caos . Quando isso acontece , a população se pergunta: qual é o problema da saúde no Brasil? Falta dinheiro ou falta gestão? É possível melhorar a saúde no Brasil sem criar novos impostos? Essas, entre outra questões, são de conhecimento da presidente Dilma, que, ao assinar uma Carta de compromisso do Fórum de ONG/Aids de São Paulo em 2010, se comprometeu a enfrentar esses problemas. Mas já se passaram anos e o caos continua, talvez, inclusive, esteja pior: ONG´S fechando, perda de ativistas para empresas privadas e governo e com isso, enfraquecimento das ações de prevenção, o que termina por elevar ainda mais os níveis de infecção as DST/AIDS. A constituição de 1988 estabeleceu que a saúde é direito de todos e dever do Estado. É possível cumprir o que a lei determina? Quando a lei não é cumprida pelos cidadãos:, ficamos sujeitos a prisão, multas e pagamento de cestas básicas e os nossos governantes? Como são punidos? Quantas mortes mais teremos que ter para que os responsáveis tomem posição e cumpram o que já foi estabelecido e pactuado? Quando um cidadão exige na justiça um tratamento que o Estado não oferece, muitas das vezes na execução, o Secretário da Saúde foge. E várias outras ações são realizadas: audiência no Ministério Publico, cartas, manifestos são feitos pelas pessoas Vivendo com HIV/Aids e são engavetadas e esquecidos pelos gestores, onde deveriam dar maior atenção, mais na maioria das vezes só sabem dizer que os ativistas não fazem mais o Controle social como no passado, jogando toda a responsabilidade da falência do SUS ao usuário que , segundo eles, não faz o seu "papel " . Mas quem realmente não faz o seu papel?

Tomo medicamentos que já não fazem efeito

Tomo medicamentos que já não fazem efeito Mara Moreira, que teve o sangue congelado e não sabe o resultado do exame/Foto de André Teixeira CURITIBA, PORTO ALEGRE, SÃO PAULO, RIO e RECIFE - Portador do vírus HIV há dois anos, Carlos, de 40, tentou em abril fazer um exame essencial para todos os soropositivos e que determina a quantidade de vírus no organismo. Morador de Recife, ele se trata no Hospital Osvaldo Cruz, mas não pôde realizar o procedimento, que, aliado a outros exames, determina quando o paciente deve começar ou mudar o tratamento. Pela falta do kit de carga viral em vários estados do país, o exame de Carlos foi remarcado para quatro meses depois. - É uma situação horrível. A médica que me atende é excelente, mas fica sem saber o que fazer. Estou muito preocupado, porque normalmente a entrega dos resultados já demora mais de um mês, e eu devia ter feito o exame em abril - conta Carlos, que, por conta da doença, já contraiu toxoplasmose, perdeu a visão de um olho e acabou tendo que parar de trabalhar. Propagado como o país que tem um dos melhores tratamentos de Aids, o Brasil passa, segundo os pacientes soropositivos, por uma crise. Ano passado, o medicamento Abacavir - prescrito para os casos mais graves - faltou em todo o país e houve relatos da carência de Lamivudina em algumas regiões. Agora, a falta de kits para quantificação de carga viral do HIV é um novo capítulo nos problemas que eles vêm enfrentando. - É um exame que não pode faltar. Há quem precise fazer até três por ano, isso depende do paciente. Mas todo mundo que recebe o diagnóstico precisa desse monitoramento - diz Veriano Terto, coordenador-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia). - No Rio, a gente começou a identificar a falta do kit no final de junho. Em março, tivemos falta do remédio Atazanavir em alguns estados. O que nos preocupa é que são problemas de gestão que afetam o programa de Aids, que de 2010 para cá tem apresentado falhas repetitivas. O Ministério da Saúde reconheceu a falta do kit e o estoque reduzido e em 12 de julho assinou a nota técnica nº 197/2011. A nota determina quem deveria ter prioridade e explica que em maio de 2010 foi aberto processo licitatório para a compra e implementação da nova metodologia de quantificação da carga viral, mas que empresas que participaram do processo impugnaram a licitação. Na época, o ministério determinou, por exemplo, que o exame fosse realizado por determinados grupos, incluindo gestantes e crianças de até 4 anos, e que quem não estivesse nesses grupos tivesse amostra de sangue coletada e congelada para ser processada quanto o estoque fosse restabelecido. - A impugnação da licitação atrapalhou o processo de compra, e há três meses vimos que teríamos maiores problemas. Divulgamos a nota técnica, depois o ministro (Alexandre Padilha) chegou a dizer que tudo estaria regularizado até o fim de agosto, mas conseguimos antecipar e a rede estará abastecida a partir de segunda-feira - diz Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do departamento DST, Aids e Hepatites Virais, lembrando que a falta do exame não prejudica o programa brasileiro: - A epidemia está estabilizada, temos 210 mil em tratamento, que fazem exame de carga viral duas vezes ao ano. Mas é claro que o usuário não tem que entender problema de licitação, de distribuição. Tem que ser atendido. - O fato da gente ter resultado positivo no tratamento tem tido dois lados: as pessoas têm melhor quantidade e qualidade de vida. Mas tem feito com o que o programa não tenha a importância devida, e isso pode levar a um retrocesso - diz Cristina Moreira, coordenadora de projetos da Viva Cazuza. - A falta dos kits pode ter prejudicado a adesão de alguns pacientes ao tratamento. Já é complicado aderir, aí a pessoa fica sem o resultado e pode parar de tomar o remédio. Ficar sem fazer exame ou sem medicamento também gera estresse, e já é sabido que os pacientes têm o sistema imunológico afetado por conta do estado psicológico. 'Tomo medicamentos que já não fazem efeito' Em falência terapêutica - quando o tratamento que combate o HIV não dá mais o resultado satisfatório esperado - Mara Moreira, de 35 anos, teve o sangue congelado em julho, no Rio, por conta da falta dos kits que fazem o exame de carga viral. - Na consulta de maio, eu já soube que ia ter que trocar a medicação. Daí, fiz o exame, mas como não tenho o resultado ou um prazo, fico angustiada. É ruim porque tomo medicamentos que já não fazem efeito. Outros exames apontaram o aumento da carga viral e a troca dos remédios já está sendo prorrogada demais - conta ela, que é professora aposentada e voluntária do Pela Vidda. Soropositivo há 20 anos, Aguinaldo José Gomes, de 50, conta que se sentiu obrigado a optar por um plano de saúde para "impedir que o vírus tomasse conta de sua cabeça e de sua vida". Vivendo em São Paulo, ele passou dois anos sem saber a quantidade de vírus que circulava em seu sangue e isso o fez insistir no uso de um medicamento que causou um grave efeito colateral: dores e formigamento nas pernas. - Alguns medicamentos faltam, e é feito o chamado fracionamento. Os médicos pedem o exame de carga viral só duas vezes ao ano, mesmo sabendo que isso não é o ideal. O plano de saúde me dá paz de espírito - diz Aguinaldo. Ex-garota de programa, C.E.B., de 36 anos, reside em Maringá, e fez o último teste de carga viral em abril. A falta do kit em sua cidade a deixou bastante preocupada: - Quando o resultado da carga viral demorava seis meses para ser conhecido, cheguei a tomar até 29 comprimidos por dia, e os efeitos foram devastadores. Eu tinha dificuldade de me alimentar. Fico preocupada que demore para restabelecer o exame e que eu fique exposta a todo tipo de doença oportunista. Vice-presidente do Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS (Gapa/RS), Carlos Alberto Duarte diz que a falta do kit cria um "prejuízo imenso e incalculável", e lembra que no Rio Grande do Sul, a demora para conseguir agendar o exame é antiga: - É comum conseguirmos fazer apenas um exame por